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Incertezas do ano de 2020

Estamos em mais um ano. Já completamos 50% do ano de 2020. A unica sensação que tenho é que não vivi nada. Absolutamente nada. Um ano que deveria ser extinto do calendário. Meus planos foram por água abaixo. Sem volta. Até a metade do mês de maio eu segui firme nos meus planos… nos meus estudo… crendo que tudo ia ficar bem. Até agora nada ficou bem. Muito pelo contrário. Desde o final de maio comecei fazer exames para saber o motivo de tantas dores e etc… Fiz exames de rotina… o exame de sangue e os demais saíram normais, graças a Deus… a ultrassom já não ocorreu tudo bem. Um cisto de 8cm dentro de mim. No meu ovário. O médico pediu outra ultrassom, mais precisa para saber como o cisto esta. Para minha surpresa – nada boa – outro cisto apareceu, dessa vez do lado direito. A médica, apesar de não querer se intrometer na conduta do médico que esta me acompanhando disse que a forma mais eficaz é realizar uma cirurgia para retirar esse cisto. O médico passou anticoncepcional para eu tomar durante 3 meses para ver se o cisto irá regredir até desaparecer, se manter no tamanho ou aumentar. Caso não obtenha sucesso na regressão, só assim precisarei de uma cirurgia. Nessas horas contamos unicamente com a fé. Mas a minha anda muito, muito, muito abalada. A vontade é ficar na cama deitada e fazendo absolutamente nada. Só esperando que este cisto suma de mim e que minha saúde volte a ser como era. Por causa desse cisto e toda essa pandemia que esta acontecendo, muitas coisas mudaram. Terei que viajar para Serra –  ES. Passar pelo menos 2 anos lá. No entanto, minhas raízes estão em Alagoas. Tentarei manter a calma e acreditar que ficarei bem e seguirei estudando. Só assim poderei voltar para Alagoas para realizar as provas dos concursos que estou inscrita. Já chorei demais e choro não ajuda em nada…
Espero que os próximos meses de 2020 tudo melhore e que 2021 seja, finalmente, repleto de paz na vida de todo mundo.

Textos

Sentimentos

No final de tudo, sempre no final, o que me resta é saudades. Amanhã, dia 17 de março de 2018, faz 4 anos que eu vi meu nome na lista de aprovados no vestibular de Licenciatura em Geografia. Aquele momento foi um momento de euforia. A felicidade é pouco perto de tudo o que eu senti. Eu não sabia o que iria vir pela frente. Mas naquele momento eu sabia que eu era -quase- universitária.

Ao longo de quatro anos de cursos tive várias experiências significantes, outras, nem tanto. Fiz amigos e colegas. Bem sabemos a diferença entre ter amigos e colegas. Fizemos viagens incríveis; fizemos festas, e, devo informar, a maioria dessas festas eram dentro do campus mesmo, mesmo sabendo do regimento da universidade, burlávamos tudo e entrávamos com bebida, era sensacional, não que eu me orgulhe disso, mas era incrível!. Foram muitos seminários, trabalhos em grupos, trabalhos individuais, projetos, estágio. Tivemos professores cruéis e tivemos aquele anjos… Mas, nas minhas lembranças, adivinhem quais professores eu lembro logo?? Sim, os cruéis!

Foram 4 anos. Aos 18 aprovada no vestibular, aos 22 quase se formando. Muitas coisas mudaram, o que eu pensava aos 18 certamente penso diferente aos 22. Cresci como pessoa, e disso me orgulho.

Várias incertezas ainda me dominam, mas certamente nos próximos anos, e quem sabe meses, essas incertezas tornam-se CERTEZAS.

É necessário seguir em frente sempre. E se olharmos para trás, vamos olhar e ver tudo de bom que nos aconteceu.

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Fragmentos: A Metamorfose | Franz Kafka

“Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.”

“Ele dava o dinheiro de boa vontade e eles aceitavam-no com gratidão, mas não havia qualquer efusão de sentimentos.”

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Arquivo Pessoal

“Talvez não percebam o que se está a passar, mas eu percebo. Não pronunciarei o nome do meu irmão na presença desta criatura e, portanto, só digo isto: temos que ver-nos livres dela. Tentávamos cuidar desse bicho e suportá-lo até onde era humanamente possível, e acho que ninguém tem seja o que for a censurar-nos.”

“Ao escutar estas palavras de sua mãe, Gregor apercebeu-se de que a falta de qualquer diálogo humano direto, a par da monotonia da sua vida na família, tinham certamente perturbado o seu espírito no curso daqueles meses; de outro modo, como explicar que ele pudesse desejar ter o seu quarto vazio?”

“Saíram de casa todos juntos, o que já não faziam há meses (…), pensaram nas perspectivas de futuro e, pensando bem, não lhes pareciam assim tão más.”

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Fragmentos: Orgulho e Preconceito | Jane Austen

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de esposa.”

“A única preocupação da sua vida era casar as filhas.”

“— O orgulho — observou Mary, que se gabava da solidez das suas reflexões — é um defeito muito comum, creio eu. Por tudo o que esse sentimento, fundados nalguma qualidade real ou imaginária! A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, a vaidade com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.”

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Imagem do Google

“São poucos os que têm o coração bastante firme para amar sem receber alguma coisa em troca.”

“A felicidade no casamento é apenas uma questão de sorte. Mesmo que os noivos conheçam mutuamente as suas tendências, mesmo que essas tendências sejam semelhantes, isto em nada contribui para a sua felicidade posterior.”

“A poesia é o alimento do amor.”

“São poucas as pessoas a quem eu quero realmente, e menos ainda aquelas das quais eu tenho uma boa opinião. Quanto melhor eu conheço o mundo, menos ele me satisfaz; e cada dia vejo confirmada a minha crença na inconsistência de todos os caracteres humanos e na pouca confiança que se pode depositar nas aparências do mérito ou do bom senso.”

“A vaidade, não o amor, foi a minha loucura!”

“Sem ter grandes ilusões a respeito dos homens ou do matrimônio, o casamento sempre fora o seu maior desejo; era a única posição tolerável para uma moça bem-educada, de pouca fortuna.”

“É melhor chamar logo de impertinência. Era pouco menos. O fato é que estava farto de amabilidades, deferências e atenções. Sentia-se enojado com as mulheres que falavam, agiam e pensavam com o único fito de conquistá-lo. Despertei a sua atenção porque era tão diferente delas. Se você não fosse realmente bom, teria me odiado. Mas apesar do trabalho que teve para disfarçar os seus sentimentos, estes sempre foram nobres e justos. E no seu coração sempre desprezou as pessoas que o cortejavam tão assiduamente. Aí está: já lhe poupei o trabalho de uma explicação; e realmente, pensando bem, acho a minha hipótese muito razoável. Para falar a verdade, não conhecia nenhuma boa qualidade em mim. Mas ninguém pensa nisto quando se apaixona.”

“Depois do casamento, o que uma moça mais gosta é de um desgosto amoroso de vez em quando. É uma coisa que dá o que pensar e lhe confere uma espécie de distinção entre as suas companheiras.”

 

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A Metamorfose – Franz Kafka

Sinopse: A metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. Sem a menor cerimônia, o texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante – o famoso Gregor Samsa – transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana – tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.


A metamorfose é um clássico mundial escrito por Franz Kafka. Kafka tem a habilidade incrível de criar personagem e retratar problemas sociais em cima desses personagens.

Em A Metamorfose, Gregor Samsa fique uma vida simples e sofrido, ele é um Caixeiro Viajante; ele vive viajando e cumprindo ordens.

O clímax do livro acontece logo no primeiro parágrafo, e a partir daí, desenrola toda a história.

Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.

Gregor perguntou para si o que teria acontecido. Aquilo não era um sonho. Seu quarto estava no lugar. Tudo estava no lugar. Gregor olhou para a janela e viu o céu nublado, ouviu pingos de chuva bater na janela e isso o fez sentir-se melancólico.

Gregor estava imóvel, não conseguia se mexer. Ele tentou pelo menos 100 vezes, mas todas tentativas foram em vão. img_8379_edited

Ele descreve o trabalho de caixeiro viajante como um trabalho irritante, pior que trabalhar no escritório.

De certo modo, a história é a condição do homem diante de suas obrigações que venha a ter. Gregor se tornara um inútil que só deu problemas à família a partir do momento que não trabalhava mais.

Diversas visões cercam essa novela de Kafka. Há quem diga que o livro retrata uma pessoa idosa que certo dia se tornou inútil para a família e mesmo assim a família teria que aturar essa pessoa idosa (por mais triste que possa parecer, existe muitas pessoas que desprezam os avós ou pais na velhice, cuidam até certo ponto e em seguida despreza). Há quem diga que a Kafka conta entrelinhas a história de qualquer pessoa que tenha uma rotina cansativa – e chata – e que certo dia simplesmente acorda cansado de tudo. E eu, em particular, penso que se trata de uma perspectiva de uma pessoa depressiva. A depressão é uma doença profunda e dolorosa, muitas pessoas que entram nessa doença consegue se salvar. Assim como o idoso ou o ser humano pode tornar-se um fardo para a família, o depressivo também, pode, facilmente tornar-se um fardo e acabar tendo um fim doloroso e ao mesmo tempo libertador, e isso é mostrado nas últimas páginas… (AVISO DE SPOILER A SEGUIR: A família volta a ter vida após a morte de Gregor Samsa, sim, caros senhores, ele morre).


Título: A Metamorfose
Autor: Franz Kafka
Editora: Companhia das Letras
Nº de Páginas: 104

Filme

Filme: A Onda

A Onda, filme alemão lançado no ano de 2008, na direção de Dennis Gansel, trata-se de uma história baseada em fatos reais onde um professor tenta, de maneira diferente, ensinar seus alunos sobre autocracia. Para isso, o professor deixa seus alunos motivados, fazendo da sala de aula exemplo de regime autocrata com normas a serem seguidas pelos participantes, e de início, os alunos não perceberam que estavam sendo manipulados pelo regime e agiram normalmente, fazendo tudo o que o professor queria.

Rainer começa ensinar na prática como é um governo autocrático, estabelecendo regras e exigências comportamentais imitando uma autocracia, que tinha como figura central ele mesmo. Ele, de forma natural, pede que todos os alunos vistam blusas, brancas; pede para que os alunos tenham um líder, e os alunos acabam escolhendo o próprio professor; e pede também que escolham um nome para o movimento que está iniciando, várias são as opções, e o nome escolhido fora A Onda.

O professor, mesmo sem querer, acaba criando uma realidade muito forte para os alunos. Ele acaba deixando os alunos muito próximos do movimento autocrata e eles acabam por exagerar de tal forma o movimento que começam a praticar atos de vandalismo na cidade, na tentativa de espalhar para todos o movimento “ A Onda”, e os que não aderissem ao movimento, não era bem-vindo.

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Imagem da Internet

Alguns alunos não se envolveram plenamente no movimento, e viam que aquilo já não estava fazendo bem para ninguém. O movimento se propaga da seguinte maneira: começa na sala de aula, apenas entre o professor e os alunos; depois os alunos levam o movimento para toda a escola; por fim, como já tomou força com ajuda de outros estudantes, os alunos levam o movimento para as ruas, chegando a pinchar paredes de lugares públicos e privados deixando sua marca, o símbolo A Onda. Algumas alunas (que desde o início não aderiram o movimento) tentam parar o movimento, mas não obtiveram sucesso. Então decidem ir conversar com o professor sobre o mal que o movimento está fazendo. O professor convoca todos os participantes do movimento em um auditório na escola e avisa que o movimento tem que parar. É nesse momento que Tim, o aluno mais envolvido com o grupo e que antes não tinha “amigos”. Tim viu no movimento A Onda uma oportunidade de se tornar parte de algo, o que fez com que apoiasse o movimento e ajudasse a o propagar. Ele então se revolta por não aceitar o fim da “onda” e acaba se matando afirmando que “a onda era sua vida”.

Tim apontou a arma para a plateia, e para o professor. Na tentativa de fazer Tim mudar de ideia, o professor diz que ele não podia fazer aquilo pois ficaria sem líder. Tim então aponta a arma para a própria boca e aperta do gatilho. Em seguida o professor é presso e o movimento tem fim. 

Após assistir o filmes, podemos ficar refletindo sobre todo o ocorrido durante semanas. Pois o filme envolve várias críticas além do regime autocrata, como o drama de quem sofre bullying e que ninguém tenta ajudar o indivíduo, sem falar do teor psicológico que o filmes nos mostra.

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Avaliação:

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Título: A Onda
Título original: Die Welle
Diretor: Dennis Gansel
Roteirista: Dennis Gansel, Peter Thorwarth
Origem: Alemanha
Ano: 2008
Gênero: drama/suspense
Duração: 1h 47m

 

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RESENHA: Memória de Minhas Putas Tristes – Gabriel García Márquez

Memórias de Minhas Putas Tristes, antes de tudo, é um livro sobre a Velhice, e, também, sobre o Amor.

O livro nos trás a história de um velho jornalista que no dia do seu aniversário resolve dar um presente para si mesmo – uma noite de amor com uma jovem virgem.

A história é narrada pelo próprio personagem. Por ele sabemos que ele viveu sempre com os pais, e ele tentou ficar noivo mas fugiu.

O personagem – o personagem principal não tem nome – ele nunca se casou, mas teve várias mulheres e sempre frequentou bordéis ao longo da vida. No dia do seu aniversário ele pede para Rosa Cabarcas – dona de um bordel – uma jovem virgem.

Ele sempre fez questão de pagar a todas as mulheres com quem ele saia, o mesmo não conhecia o Amor, mas acaba se apaixonando perdidamente por uma adolescente.

Ele consegue. Durante a noite, ele enta no quarto e se deita ao lado da jovem, que por sinal, está dormindo.

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Imagem da Internet

A partir desse dia, acontece todo o desenrolar da história. O velho de noventa anos passa a contemplar todas as noites da jovem, que sempre está dormindo, e ao vê-la dormindo, não conseguia colocar seu “plano” em ação.

Gabriel García nos trás algumas informações importantes no livro: o envelhecimento, a solidão, e o amor.

O leitor pode considerar o romance de diversas perspectivas, como um romance comum, mesmo sendo um velho de 90 anos e uma jovem de 15 anos; ou podemos levar em consideração uma crítica maior, mensagens ocultas durante a leitura, justamente devido a relação de um homem adulto e uma adolescente.

A lição que podemos tirar é que a velhice não é uma fase morta da vida, pode ser muito ativa. E não há um momento certo para se apaixonar, que foi o caso do nosso protagonista sem nome, só se apaixonou aos 90.

O livro não é grande, a leitura flui bem, mas em alguns momentos da uma certa travada (pelo menos aconteceu comigo), mas de qualquer forma a magia impregnada no livro é constante.

Citações: 

Virgens sobrando neste mundo só os do seu signo, dos nascidos em agosto.

[…] Aquele foi o início de uma nova vida, e numa idade em que a maioria dos mortais está morta.

A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam.

—É uma dor natural na sua idade – falou.
— Então — disse eu —, o que não é natural é a minha idade.

Aqueles que não cantam não podem nem imaginar o que é a felicidade de cantar.

[…] Se for por amor, não importa.

Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco.

Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. Naquela

— Faça o que você quiser, mas não perca essa criança — disse. — Não há pior desgraça que morrer sozinho.

… O que você viveu ninguém rouba.

Não vá morrer sem experimentar a maravilha de trepar com amor.

Era enfim ávida real, com meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz de qualquer dia depois dos meus cem anos.

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Avaliação

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Ficha Técnica
Livro: Memória de minhas putas tristes
Autor: Gabriel García Márquez
Gênero: Romance
Páginas: 128
Editora: Record

livros

FRAGMENTOS: Crime e Castigo | Fiódor Dostoiévski

Olá, pessoal, tudo bom?

Quero confessar que faz 3 dias que eu li Crime e Castigo e ainda não consegui superar esse livro, eu diria até que é uma depressão pós-livro. Fiquei na mesma situação quando li Memórias do Subsolo.
Por isso, resolvi selecionar os melhores Fragmentos do livro Crime e Castigo.

…Pobreza não é defeito, e é uma verdade. Sei ainda mais que bebedeira não é virtude. Mas a miséria, meu caro senhor, a miséria é defeito. Na pobreza o senhor ainda preserva a nobreza dos sentimentos inatos, já na miséria ninguém o consegue, e nunca. Por estar na miséria um indivíduo não é nem expulso a pauladas, mas varrido do convívio humano a vassouradas para que a coisa seja mais ofensiva; o que é justo, porque na miséria eu sou o primeiro a estar pronto a ofender a mim mesmo.

Deus dê paz aos mortos, porque aos vivos ainda resta viver!

É só na minha ideia central que eu acredito. Ela consiste precisamente em que os indivíduos, por lei da natureza, dividem-se geralmente em duas categorias: uma inferior (a dos ordinários), isto é, por assim dizer, o material que serve unicamente para criar seus semelhantes; e propriamente os indivíduos, ou seja, os dotados de dom ou talento para dizer em seu meio a palavra nova . Aqui as subdivisões, naturalmente, são infinitas, mas os traços que distinguem ambas as categorias são bastante nítidos: em linhas gerais, formam a primeira categoria, ou seja, o material, as pessoas conservadoras por natureza, corretas, que vivem na obediência e gostam de ser obedientes. A meu ver, elas são obrigadas a ser obedientes porque esse é o seu destino, e nisso não há decididamente nada de humilhante para elas. Formam a segunda categoria todos os que infringem a lei, os destruidores ou inclinados a isso, a julgar por suas capacidades. Os crimes desses indivíduos, naturalmente, são relativos e muito diversos; em sua maioria eles exigem, em declarações bastante variadas, a destruição do presente em nome de algo melhor. Mas se um deles, para realizar sua ideia, precisar passar por cima ainda que seja de um cadáver, de sangue, a meu ver ele pode se permitir, no seu interior, na sua consciência passar por cima do sangue – todavia, conforme a ideia e suas dimensões – observe isso. É só neste sentido que eu falo do direito deles ao crime no meu artigo. (Lembre-se o senhor de que nossa discussão começou pela questão jurídica.) Aliás não há motivo para muita inquietação: a massa quase nunca lhe reconhece esse direito, ela os justiça e enforca (mais ou menos) e assim, de forma absolutamente justa, cumpre o seu destino conservador para, não obstante, nas gerações seguintes, essa mesma massa colocar os mesmos executados no pedestal e reverenciá-los (mais ou menos). A primeira categoria é sempre de senhores do presente, a segunda, de senhores do futuro. Os primeiros conservam o mundo e o multiplicam em número; os segundos fazem o mundo mover-se e o conduzem para um objetivo.

A raiva vai me fazer dar com a língua nos dentes!

Não, a vida me é dada uma vez, e ela nunca mais voltará: eu não quero esperar a ‘felicidade geral’. E eu mesmo quero viver, do contrário o melhor seria não viver.

– O que significa “mais nobre”? Eu não compreendo esse tipo de expressão no sentido de definir a atividade humana. “Mais nobre”, “mais magnânimo” – tudo isso são tolices, absurdos, velhos preconceitos da palavra, que eu rejeito!

Eu gosto quando mentem! A mentira é o único privilégio humano perante todos os organismos. Quem mente chega à verdade! Minto, por isso sou um ser humano. Nunca se chegou a nenhuma verdade sem antes haver mentido de antemão quatorze, e talvez até cento e quatorze vezes, e isso é uma espécie de honra; mas nós não somos capazes nem de mentir com inteligência! 

O problema não está no tempo mas no senhor mesmo. Torne-se um sol, e todos o verão. Um sol precisa acima de tudo ser sol.

O amor os ressuscitara, o coração de um continha fontes infinitas de vida para o coração do outro.

[…] Nesse sentido todos nós, e com bastante frequência, agimos quase como loucos, apenas com a pequena diferença de que os “doentes” são um pouco mais loucos que nós, porque neste caso é necessário distinguir o limite. Já o indivíduo harmonioso, e isso é verdade, quase não existe; em dezenas, e talvez até em muitas centenas encontremos um, e ainda por cima em espécimes bastante fracas…

Esses foram os trechos que mais me marcaram durante a leitura de Crime e Castigo, em especial o último fragmento. 

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livros

Resenha: A Revolução dos Bichos

Título: A Revolução dos Bichos

Autor: George Orwell { Geoge Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair}

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 152

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    Avaliação:
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Sinopse:

Num belo dia, os animais da fazenda do sr. Jones se dão conta da vida indigna a que são submetidos: eles se matam de trabalhar para os homens, lhes dão todas as suas energias em troca de uma ração miserável, para ao final serem abatidos sem piedade. Liderados por um grupo de porcos, os bichos então expulsam o fazendeiro de sua propriedade e pretendem fazer dela um Estado em que todos serão iguais.

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Imagem da Internet

Logo começam as disputas internas, as perseguições e a exploração do bicho pelo bicho, que farão da granja um arremedo grotesco da sociedade humana. Publicada em 1945, A Revolução dos Bichos foi imediatamente interpretada como uma fábula satírica sobre os descaminhos da Revolução Russa, chegando a ter sido utilizada pela propaganda anticomunista.

A novela de George Orwell de fato fazia uma dura crítica ao totalitarismo soviético; mas seu sentido transcende amplamente o contexto do regime stalinista.

Mais do que nunca esta pequena obra-prima da ficção inglesa parece falar aos nossos dias, quando a concentração de poder e de riquezas, a manipulação da informação e as desigualdades sociais parecem atingir um ápice histórico.

{Folha de S. Paulo}

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Os animais do livro possuem inteligência, fazer estratégia, e hino. Antes eles se consideravam explorados pelos humanos, e a partir do momento em que eles possuem essa consciência de exploração, começa acontecer a revolução na fazenda.
Alguns animais mencionaram que devem lealdade ao Sr. Jones, visto que ele os alimentava e era seu “dono”: “Seu Jones nos alimenta. Se ele fosse embora, nós morreríamos de fome”. Outros faziam perguntas como: “Que nos importa o que acontecerá depois da nossa morte?” ou: “Se essa Revolução vai ocorrer de qualquer maneira, que diferença faz trabalharmos por ela ou não?”. 

Existe também falas muito peculiares como está: “Guerra. Ser humano bom ser humano morto”. 

De início, tudo estava bem, fizeram os sete mandamentos dos animais, no entanto, no decorrer do livro, há um segundo momento em que eles se vêem numa escravidão, que não mais feita pelos humanos, e sim por seus semelhantes.

Fizeram os Sete Mandamentos:

  1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo
  2. qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo
  3. Nenhum animal usará roupas
  4. nenhum animal dormirá em camas
  5. nenhum animal beberá álcool
  6. Nenhum animal matará outro animal
  7. Todos os animais são iguais

Ao longo do livros, os mandamentos vão sendo alterados/quebrados. Os porcos passam a usar roupas, beber álcool, matam outros animais em guerra, ficam amigos dos humanos, e se sentem superiores aos demais animais.
O 7º mandamento foi alterado para: “Alguns são mais iguais que outros”.

A narrativa do livro é fluida e de fácil entendimento o que torna a leitura agradável. Cada personagem do livro são construídos de forma  exemplar e o leitor não se perde entre os personagem, sabendo também a função de cada personagem. Temos para exemplo os cavalos Sansão e Quitéria representam o proletariado. Sem acesso às informações, eles creem no que lhes conta Garganta, porco que é uma alegoria aos sistemas de propaganda dos regimes totalitários. Sansão é a encarnação irracional do mito criado em torno de Alexei Stakhanov, o mais famoso trabalhador soviético por seu empenho e por sua dedicação.

As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.
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Pretendo, daqui uns anos reler A Revolução dos Bichos, pois, possivelmente terei uma visão mais abrangente das mensagens que G. Orwell nos trás.

[“A verdadeira felicidade, dizia ele, estava em trabalhar bastante e viver frugalmente.” Essa Quote do livro só me lembra a frase do Fabuloso Michel Temer – presidente do Brasil – “Não fale (não reclame) em crise, Trabalhe!”]

livros

Resenha: Crime e Castigo – Fiódor Dostoiévski

Título: Crime e Castigo

Autor: Fiódor Dostoiévski

Editora: Editora 34

Gênero: Romance

Páginas: 592 

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    Avaliação:
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Na obra mais fantástica de Dostoiévski, Crime e Castigo, encontramos um personagem peculiar, ex-estudante de direito, que vive em um cubículo de uma Velha. No início do livro do livro temos o momento em que ele planeja o Crime e fica na dúvida se comete o ato ou não.

Por fim, ele decide que SIM, ele irá cometer  o Crime contra a Velha e roubá-la. Ele a assassina com machadadas e tem exito quanto a isso. Mas ele acaba deixando a porta aberta e Lisavieta entra no local do Crime e ele é “obrigado” a matar Lisavieta também. Ela chegou no local errado, na hora errado; onde teríamos apenas um crime, acabamos ficando com dois, sendo um deles a contragosto de Raskólnikov.

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Foto da Internet

Após o crime, Raskólnikov passa um longo e interminável período de Castigo, não exatamente por estar em uma prisão física, e sim por entrar preso em sua consciência, onde as lembranças do crime começa a a perturbá-lo, deixando ele sempre em transe. A irmã e a mãe vão para a cidade e estranham o comportamento de Ródia; depois de um tempo a irmão de Ródia acaba sabendo o crime que o mesmo cometeu. Dúnia tem pesadelos e acaba balbuciando algo que Pulkéria não entende bem, mas como mãe, ela já sabe o que Ródia fez.

Todos os personagens se entrelaçam com o protagonista, Raskólnikov, de alguma forma. Em alguns momentos, durante a leitura, ela pode tornar-se cansativa, portanto, recomendo que leiam Crime e Castigo em doses homeopáticas, para, assim, poder absorver mais o que o livro se treta e não se tornar cansativa e acabar largando o livro.

Deixo abaixo duas citações muito provocantes:

– Meu caro senhor – retomou ele em tom quase solene -, pobreza não é defeito, e é uma verdade. Sei ainda mais que bebedeira não é virtude. Mas a miséria, meu caro senhor, a miséria é defeito. Na pobreza o senhor ainda preserva a nobreza dos sentimentos inatos, já na miséria ninguém o consegue, e nunca. Por estar na miséria um indivíduo não é nem expulso a pauladas, mas varrido do convívio humano a vassouradas para que a coisa seja mais ofensiva; o que é justo, porque na miséria eu sou o primeiro a estar pronto a ofender a mim mesmo.

Eu gosto quando mentem! A mentira é o único privilégio humano perante todos os organismos. Quem mente chega à verdade! Minto, por isso sou um ser humano. Nunca se chegou a nenhuma verdade sem antes haver mentido de antemão quatorze, e talvez até cento e quatorze vezes, e isso é uma espécie de honra; mas nós não somos capazes nem de mentir com inteligência!

Crime e Castigo é um clássico da literatura, para quem gosta de uma boa literatura, uma boa escrita, Crime e Castigo não deixa a desejar. Personagens bem desenvolvidos onde cada um ocupa um ponto fundamental para dar sentido a estória.